Remédios organizados em frascos e embalagens transparentes sobre uma mesa ao lado de um passaporte e um bilhete de avião

Viajar para fora do país é sempre um momento especial, mas quando a mala inclui medicamentos, seja de uso contínuo ou para emergências, o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso. Além de se preocupar com passaporte, passagens e roteiro, é fundamental entender as regras da ANVISA, as normas de transporte de medicamentos na bagagem de mão, os cuidados com receitas médicas e, principalmente, a lista de remédios que são comuns no Brasil, mas proibidos ou restritos em outros países.

Uma simples falta de informação pode gerar desde desconforto e apreensão no aeroporto até problemas sérios na imigração. A boa notícia é que, com preparação, é totalmente possível viajar com segurança, levar o tratamento necessário e evitar qualquer contratempo.

Este guia vai detalhar, passo a passo, como transportar medicamentos no exterior de forma legal e prática, incluindo dicas extras para quem toma remédios controlados ou viaja para países com leis mais rígidas.

1. O que diz a ANVISA sobre levar medicamentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece que os medicamentos levados em viagens internacionais devem estar compatíveis com o uso pessoal, ou seja, na quantidade adequada para a duração da estadia. Levar caixas e caixas de comprimidos sem justificativa pode levantar suspeitas de uso comercial.

Segundo a ANVISA, remédios isentos de prescrição médica (como paracetamol) podem ser transportados sem receita. Porém, isso não significa que serão aceitos no país de destino. Um exemplo clássico é a dipirona, muito usada no Brasil, mas proibida em países como Estados Unidos e Japão devido a restrições de segurança.

Além disso, no Brasil existe a lista de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Ela inclui desde ansiolíticos e antidepressivos até hormônios e medicamentos para déficit de atenção. Para viajar com qualquer um deles, é necessário documentação médica clara e detalhada.

2. Bagagem de mão x bagagem despachada

O transporte correto dos medicamentos começa na escolha da bagagem. A regra básica é: leve seus medicamentos sempre na bagagem de mão.

Por que não despachar?

  • Bagagens despachadas podem ser extraviadas ou sofrer atrasos.
  • Medicamentos podem ser danificados por variações de temperatura no porão.
  • Alguns remédios exigem refrigeração ou cuidados especiais que só podem ser garantidos se estiverem com você.

Orientações importantes:

  • Comprimidos e cápsulas normalmente são aceitos sem problemas na bagagem de mão.
  • Medicamentos líquidos ou em spray devem seguir a regra internacional de líquidos: até 100 ml por frasco, dentro de um saco plástico transparente de até 1 litro.
  • Leve sempre na embalagem original com a bula, para facilitar a identificação.
  • Organize os medicamentos em um saco transparente com fechamento tipo zíper, para agilizar a inspeção.

Se você precisa carregar doses maiores de líquidos (por exemplo, insulina), apresente a receita médica no momento da inspeção. Em geral, autoridades permitem exceções para uso comprovado.

3. A importância da receita médica (em português e inglês)

Para medicamentos de uso contínuo, controlados ou sujeitos a fiscalização, a receita médica é indispensável. Ela deve conter:

  • Nome completo do paciente (igual ao do passaporte).
  • Nome do medicamento (com o princípio ativo, não só o nome comercial).
  • Posologia e dosagem.
  • Justificativa de uso.
  • Assinatura e carimbo do médico.

Dica: Tenha a receita em português e inglês. Em destinos como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália, isso agiliza muito a liberação. Para países que não falam inglês, vale a pena providenciar a tradução juramentada.

Se a viagem for superior a 90 dias, verifique com antecedência se o país exige autorização especial para entrada com a quantidade necessária para todo o período.

4. Medicamentos comuns no Brasil, mas proibidos no exterior

Muitos viajantes se surpreendem ao descobrir que remédios populares no Brasil são proibidos em outros países. Veja alguns exemplos:

  • Dipirona (Novalgina) – Proibida nos EUA e Japão.
  • Nimesulida – Restrições em alguns países europeus e proibição nos EUA.
  • Pseudoefedrina – Ilegal no Japão e com venda restrita nos EUA.
  • Metilfenidato (Ritalina) – Controlado em diversos países, requer autorização.
  • Diazepam (Valium) – Restrito em países como Emirados Árabes.
  • Sibutramina (Reductil) – Proibida nos EUA desde 2010.
  • Fenilpropanolamina (PPA) – Banida nos EUA por risco de AVC.
  • Domperidona (Motilium) – Não aprovada nos EUA por risco cardíaco.
  • Difenidramina (Benadryl) – Considerada de alto risco em alguns destinos.

Como evitar problemas:

  • Consulte o site da embaixada ou consulado do país antes de viajar.
  • Pesquise pelo nome do princípio ativo (e não só pelo nome comercial).
  • Se o medicamento for proibido, converse com seu médico sobre substituições.

5. Checklist rápido para levar medicamentos em voos internacionais

  1. Consulte o destino – Regras variam muito entre países.
  2. Organize a bagagem de mão – Embalagem original, bula e saco transparente (tipo ziploc é ótimo).
  3. Leve receitas médicas – Em português e inglês, com todas as informações necessárias.
  4. Quantidades adequadas – Apenas o necessário para o período da viagem e alguns dias extras.
  5. Documentação adicional – Para remédios controlados, leve cópia do passaporte, visto e laudo médico.
  6. Evite frascos grandes – Lembre-se das regras de líquidos no embarque.
  7. Guarde contatos médicos – Tenha o telefone e e-mail do seu médico de confiança.

6. Erros comuns que podem gerar dor de cabeça

  • Despachar todos os medicamentos e ficar sem acesso em caso de extravio.
  • Levar grandes quantidades sem comprovação de uso pessoal.
  • Não traduzir a receita, dificultando a comunicação com agentes no exterior.
  • Não verificar a legislação local e acabar com medicamento proibido na mala.
  • Misturar comprimidos diferentes em um único pote, sem identificação.

7. Como evitar problemas na imigração

  • Ao ser questionado sobre os medicamentos, explique calmamente que são de uso pessoal.
  • Mostre a receita médica antes de ser solicitado.
  • Tenha sempre em mãos o endereço de onde ficará hospedado e seu roteiro de viagem.
  • Nunca transporte medicamentos para terceiros sem saber exatamente o que é.

8. Fontes de informação confiáveis

Para confirmar as regras do país de destino, consulte:

9. Dipirona proibida nos EUA

Se você entrar nos Estados Unidos com um medicamento proibido, como a dipirona, as consequências vão depender da quantidade, da forma como ele foi transportado e de como você responder às autoridades na imigração. Aqui está o que pode acontecer:

  • Apreensão do medicamento.
  • Registro no seu histórico de entrada (isso pode levantar atenção em futuras entradas, fazendo você ser mais vezes direcionado à “secondary inspection” (inspeção secundária, mais detalhada).
  • Multa ou advertência (você pode receber advertência formal ou multa por tentativa de importar substância não aprovada pelo FDA).
  • Acusação de importação ilegal
  • Situação de emergência médica (em alguns casos, as autoridades podem indicar substitutos permitidos no país, mas não têm obrigação de fornecer).

Importante: Nos EUA, a dipirona não é aprovada pelo FDA desde 1977 por causa do risco de agranulocitose (uma reação grave no sangue). Ou seja, mesmo que você leve só para uso pessoal, ela é tratada como medicamento não autorizado.

Conclusão

Levar medicamentos em viagens internacionais não precisa ser um problema. O segredo está na preparação antecipada, no respeito às regras do país de destino e na organização da documentação. Com esses cuidados, você garante que sua saúde estará protegida e evita situações estressantes na alfândega ou no portão de embarque.

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Nathalia

SOBRE O AUTOR

Nathalia

Nathalia é especialista em viagens e dedicada a proporcionar experiências inesquecíveis para quem busca lazer, estudo ou mudança para outro país. Apaixonada por explorar novos destinos e culturas, ela se destaca pelo atendimento personalizado e atenção ao detalhe em cada etapa do planejamento. Nathalia acredita que viajar é mais do que conhecer lugares, é transformar vidas com suporte, segurança e conforto. Seu objetivo é tornar cada jornada fácil, tranquila e memorável para seus clientes.

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